Toda
vez que vivo alguma experiência boa, me ocorre o pensamento que
que um dia eu possa esquecê-la. E me dá uma
dózinha...Então por isso eu gosto de tirar foto. Foto
dos lugares, dos rótulos dos vinhos, dos títulos dos
quadros em galerias. E por isso eu anoto. Anoto o nome dos livros que
ainda quero ler, palavras pra pesquisar depois. E
por isso eu guardo ingresso de museu, ticket de metrô,
guardanapo daquele restaurante, cartões de hotéis. Quem
sabe eu volto?
E tentando resolver o problema de onde guardar
tudo isso, pensei neste blog. Não ocupa espaço físico
e caso role uma saudadezinha em qualquer lugar, voilà! Questão
resolvida no Starbucks mais próximo.
Sobre o nome do blog?
Eu tenho um pensamento de consolo pra quando estou indo embora e bate
aquele banzo: "Um dia eu volto!" E Saramago, que me inspira
há muito tempo, deu mais essa força.
“…
A
viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo
estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em
narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse:
‘Não há mais que ver’, sabia que não era
assim. O fim duma viagem é apenas o começo doutra. É
preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu
já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia
o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía,
ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a
sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos
que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos
ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O
viajante volta já.”
José
Saramago, em Viagem
a Portugal