sábado, 27 de setembro de 2014

Só o viajante acaba.

Toda vez que vivo alguma experiência boa, me ocorre o pensamento que que um dia eu possa esquecê-la. E me dá uma dózinha...Então por isso eu gosto de tirar foto. Foto dos lugares, dos rótulos dos vinhos, dos títulos dos quadros em galerias. E por isso eu anoto. Anoto o nome dos livros que ainda quero ler, palavras pra pesquisar depois. E por isso eu guardo ingresso de museu, ticket de metrô, guardanapo daquele restaurante, cartões de hotéis. Quem sabe eu volto? 
E tentando resolver o problema de onde guardar tudo isso, pensei neste blog. Não ocupa espaço físico e caso role uma saudadezinha em qualquer lugar, voilà! Questão resolvida no Starbucks mais próximo.
Sobre o nome do blog? Eu tenho um pensamento de consolo pra quando estou indo embora e bate aquele banzo: "Um dia eu volto!" E Saramago, que me inspira há muito tempo, deu mais essa força.

“… A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: ‘Não há mais que ver’, sabia que não era assim. O fim duma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já.”
José Saramago, em Viagem a Portugal