sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Paris, Abril de 2009 - Planejamento de viagem

Sou arquiteta e em 2009 tinha o plano de fazer uma pós em Ciências Sociais. Na verdade ainda tenho. Mas naquela época pensei que o melhor lugar pra fazer isso seria em Paris. Sinceramente não tinha nenhum interesse especial pela França e pra ser mais honesta tinha até uma aversãozinha. Resolvi então passar uma temporada na cidade, pra ver se eu adaptaria por lá. E começou então uma obsessão que nunca teria fim. Aliás, só tem piorado. Ou melhorado, dependendo do ponto de vista. Só penso em viajar. Planejo uma viagem já pensando na próxima. O que às vezes é angustiante pra uma reles mortal com recursos e férias limitados.
Decidi ficar 25 dias, e o plano era viver como se eu morasse lá. Queria ia ao supermercado, farmácia, andar de ônibus, entrar mesmo na rotina.
E pra isso acontecer, precisava saber pedir mais que um croissant. Então, com o tempo escasso, resolvi fazer um curso on line. Absolutamente cética, descobri um curso no site da BBC que me surpreendeu muito. O curso tem vídeos e exercícios e rapidinho vi que a língua não assustava tanto. Na última hora, completei com um intensivão numa escola perto do meu trabalho.
Passagem comprada, precisava de um lugar pra ficar. Paris é uma das cidades com a hospedagem mais cara do mundo, mas com um pouco de dedicação, é possível resolver a questão. Com o budget limitado, aluguei um "2 pièces" em uma localização excelente por uma bagatela. Conheci uma estudante que estava vindo de férias ao Brasil e subloquei o apto. A sublocação não é permitida na França, mas...foi assim. Era um apartamento pequeninho, num prédio do governo para estudantes, com uma estação da linha 14 (a mais moderna) bem na frente. Superbe! (O AirBnb ainda não existia. Da última vez que fui à Paris, aluguei um apto pelo site. Deu tudo certo, conto sobre isso depois).
O governo francês estava bem rigoroso com turistas na época. Era preciso uma "attestation d'hébergement" se você fosse se hospedar na casa de um amigo. Eu não tinha a carta então sofri uma sabatina da polícia no aeroporto. Cheguei a achar que minha primeira frase em terras francesas seria Au revoir! Aprendi algumas coisas. Sempre levar impressa a reserva do hotel e SEMPRE fazer o seguro de viagem. É obrigatório na maioria dos países europeus, mas tem gente que arrisca. Um casal, mãe e filho, foram despachados de volta ao Brasil porque não haviam feito o seguro. Então não vale à pena.
Passado o susto, veio outro. A sensação esquisita de que ficaria eu, eu mesma e Fernanda por 25 dias sozinha em uma cidade desconhecida, onde se falava uma língua da qual eu conhecia um magro bonjour e outro Merci! Não sabia se ia me suportar por tanto tempo. Respirei fundo e resolvi encarar a experiência antropológica. 
Comprei o ticket do RER com cartão, numa máquina do aeroporto. O trem metropolitano me deixaria na estação Chãtelet (a maior, mais central e mais confusa de Paris! Evite se puder!) onde pegaria o metrô para a estação na frente do prédio onde me hospedaria. O que era um monstro de dezoito cabeças, virou uma alegria só quando pus os pés no meu apto, cujas paredes me ouviriam nos próximos dias. O que fiz em Paris nesse tempo, vou contando na sequência. Voilá Paris! 

Resumè:
Curso on line: BBC Languages. http://www.bbc.co.uk/languages/french/
Escola de frances: Escola Mônica de Souza, em Belo Horizonte
Como fui: TAM linhas Aéreas. A minha preferida, junto com a AirFrance. Entretenimento a bordo é imprescindível pra mim, que fico zumbizando durante o võo. Comida boa e bom vinho, pra tentar um soninho.
Onde fiquei: Apartamento alugado no 13e arrondissement, na frente da estação Bibliothéque François Miterrand. A região é residencial, com supermercados e café. Nada turístico mas muito seguro e de fácil locomoção.   
Transfer aeroporto: Para saber sobre os trens que ligam os aeroportos em Paris, consulte o site oficial da empresa de transportes urbanos. É o jeito mais barato e achei muito seguro. http://www.ratp.fr/. Informações sobre metrõs e onibus também.



            

sábado, 27 de setembro de 2014

Só o viajante acaba.

Toda vez que vivo alguma experiência boa, me ocorre o pensamento que que um dia eu possa esquecê-la. E me dá uma dózinha...Então por isso eu gosto de tirar foto. Foto dos lugares, dos rótulos dos vinhos, dos títulos dos quadros em galerias. E por isso eu anoto. Anoto o nome dos livros que ainda quero ler, palavras pra pesquisar depois. E por isso eu guardo ingresso de museu, ticket de metrô, guardanapo daquele restaurante, cartões de hotéis. Quem sabe eu volto? 
E tentando resolver o problema de onde guardar tudo isso, pensei neste blog. Não ocupa espaço físico e caso role uma saudadezinha em qualquer lugar, voilà! Questão resolvida no Starbucks mais próximo.
Sobre o nome do blog? Eu tenho um pensamento de consolo pra quando estou indo embora e bate aquele banzo: "Um dia eu volto!" E Saramago, que me inspira há muito tempo, deu mais essa força.

“… A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: ‘Não há mais que ver’, sabia que não era assim. O fim duma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já.”
José Saramago, em Viagem a Portugal